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Mato Grosso tem o etanol mais barato do país, aponta ANP

Foram pesquisados 107 postos de combustíveis no estado, entre 29 de setembro e 3 de outubro

ECONOMIA | 07/10/2015 - 06:58:40

Abastecer com etanol em Mato Grosso tem sido mais vantajoso que nos outros estados brasileiros, segundo dados divulgados pela a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na segunda-feira (5). A média ficou cotada em R$ 1,85 por litro. No estado, Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, tem o preço mais barato, uma média de R$ 1,82.

Foram pesquisados 107 postos de combustíveis no estado, entre 29 de setembro e 3 de outubro. O etanol virou uma alternativa, para veículos flex, uma vez que a Petrobras informou no dia 29 de setembro ter reajustado o preço da gasolina e do diesel nas refinarias. Os dois combustíveis tiveram aumento de 6% e 4%, respectivamente.

A reportagem do G1 visitou três postos de combustíveis nesta segunda-feira e registrou preços abaixo da média do etanol. No estabelecimento mais barato, a reportagem encontrou o valor o valor de R$ 1,77. Mato Grosso registra, segundo a ANP, um preço mínimo de R$ 1,62 ao consumidor.

Depois de Várzea Grande, Cuiabá tem a menor média com R$ 1,83, seguido de Rondonópolis, com R$ 1,91.

Para as distribuidoras do estado, o valor médio ficou cotado em R$ 1,58. O preço mínimo para as empresas ficou registrado em R$ 1,50 e o máximo, em R$ 1,74. São Paulo e Goiás ocupam a segunda e a terceira colocação, respectivamente. Os consumidores de etanol no estado paulista estão pagando, em média, R$ 2, enquanto os goianos, R$ 2,03.

O etanol é um combustível sintetizado a partir de moléculas de glicose de vegetais como o trigo,  milho e a mandioca. Além de renovável, o etanol chega a reduzir em 89% - em relação a gasolina – a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa. A principal matéria-prima utilizada pelo estado de Mato Grosso para sintetizar o combustível é a cana de açúcar.

Segundo o diretor executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT), Jorge dos Santos, o preço baixo do etanol é resultado de dois fatores: uma oferta superior à demanda e a política tributária do governo do estado. “Nós temos uma produção muito forte [do etanol] para um mercado que não corresponde à altura. A segunda razão do preço baixo é que o governo de Mato Grosso tenta salvar o setor, já que esse é um produto, em grande parte, genuinamente produzido aqui [no estado]. A tributação do etanol é inferior, por exemplo, a da gasolina”, explica.

O diretor executivo do Sindalcool lembra, porém, que o panorama atual do etanol pode não se manter durante muito tempo.“É preciso ficar atento a essa situação porque o preço do etanol tem que garantir pelo menos o retorno do investimento feito pelos produtores. Eles têm que, a fim de manter a qualidade do produto, renovar em 20% o canavial de cana de açúcar. Caso não exista esse retorno do investimento o canavial envelhece, o que acaba afetando o combustível que chega até os consumidores”, afirma.

Ainda segundo ele, o reajuste do diesel também pode afetar o valor final do etanol. “O custo do transporte e da alimentação, que são duas das mais importantes variáveis, poderão impactar esse preço mais para a frente”, pontua.

Os reajustes anunciados pela Petrobras já estão sendo repassados ao consumidor da capital de Mato Grosso, de acordo com o diretor executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo), Nelson Soares Junior. “De maneira geral, em função da situação econômica os postos não estão conseguindo fazer grandes estoques de combustível. Com esses estoques pequenos, a transferência de preço [para o consumidor] está acontecendo de maneira mais rápida”, diz.

Ainda de acordo com ele, a posição geográfica do estado em relação as refinarias e também a política tributária têm desfavorecido os preços. “Mato Grosso cobra 17% de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] sobre o óleo diesel enquanto Goiás cobra 15% e Mato Grosso do Sul cobra 12%”, explica.


Fonte: G1 MT


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