Gaúcha do Norte,22 de Abril de 2018 - Domingo

'Aedes' se espalha pelo mundo e coloca em risco novas populações, diz estudo

Para autor, duas subespécies do mosquito já convivem em áreas geográficas sobrepostas

30/11/2016 - 05:16:01


Já há sinais de que o Aedes aegypti está se espalhando pelo mundo e colocando em risco novas populações humanas, de acordo com um artigo científico publicado na semana passada, na revista Science. O autor do artigo, Jeffrey Powell, biólogo evolutivo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, afirma também que duas subespécies do mosquito já convivem em áreas geográficas sobrepostas e estão gerando híbridos - o que pode expandir o alcance das doenças transmitidas pelo inseto.

O mosquito tem duas subespécies. O Aedes aegypti aegypti (AAA), a subespécie que existe no Brasil, historicamente só era encontrada ao longo do ano todo em regiões tropicais e subtropicais fora da África. Por preferir o sangue humano e consequentemente ter se adaptado às áreas urbanas, o AAA transmite doenças como dengue, chikungunya e zika. A outra subespécie, o Aedes aegypti formosus(AAF), que historicamente vivia apenas em florestas da África, alimenta-se preferencialmente do sangue de animais e por isso é considerado inofensivo para humanos.

De acordo com Powell, no entanto, as duas subespécies começaram a se sobrepor em certas áreas da África e, em algumas delas, já estão produzido híbridos. "Claramente, a simples dicotomia dos dois subtipos distintos de Aedes aegypti foi demolida. Suas distribuições geográficas estão começando a se sobrepor e eles estão se hibridizando. Ecologicamente, eles não podem mais ser claramente separados", explicou Powell.

Além disso, o AAA já começa a aparecer durante todo o ano em locais que até agora estavam livres do mosquito, como a Ilha da Madeira, o Mar Negro e áreas das costas oeste e leste dos Estados Unidos como a Califórnia e Washington D.C.

"Essa expansão está colocando em risco grandes populações humanas que não estavam habituadas ao contato com os vírus espalhados pelo AAA e não têm defesas imunológicas contra eles. Isso aumenta imensamente a probabilidade de epidemias severas. A distribuição do Aedes aegypti está em um estágio de fluxo e provavelmente continuará a se expandir, à medida que o movimento de pessoas e mercadorias aumenta e as mudanças climáticas alteram os ecossistemas", disse Powell.

Segundo ele, por causa dos hábitats e comportamentos muito distintos, as duas subespécies historicamente apresentam riscos diferentes à saúde. "O AAF é relativamente benigno, encontrado em florestas com baixa densidade humana e preferindo o sangue de animais. Por adorar o sangue humano, o AAA tem sido responsável pela maior parte das doenças transmitidas por essa espécie. A distribuição das duas subespécies é por isso de importância considerável", afirmou o cientista.


Fonte: Uol Notícias


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