Gaúcha do Norte,20 de Outubro de 2018 - Sábado

Traficante procurado há 30 anos e preso em Sorriso tinha 'de 5 a 6 'fazendas e casas em MT

03/07/2017 - 22:43:34


O traficante Luiz Carlos Rocha, o "cabeça branca", preso sábado, em Sorriso, e considerado o "traficante número 01" procurado pela Polícia Federal", há mais de 30 anos, foi recambiado para Curitiba (PR) onde prestou depoimento ao delegado federal Elvis Secco, um dos coordenadores da operação Spectrum e, em seguida, foi levado para uma peniteciária federal (cidade não informada). O teor das declarações dele não foi informado, esta tarde, na capital paranaense, em entrevista coletiva de delegados federais.

A PF confirmou que "foram montadas diversas equipes em vários Estados e no exterior e fomos cercando" "até chegar as residências onde ele tinha maior frequência, em Sorriso e Osasco (onde usava para se encontrar com traficantes e comparsas). Em Sorriso, não fazia nada de ilícito. Ele tinha vida social normal", explica o delegado Elvis Secco. Luiz Carlos usava CNH e outros documentos falsos. "Um dos nomes que usava não possuia antecedentes". "Ele vivia em Sorriso como grande agropecuarista, com a esposa e um filho" e "já estava vivendo na região há muito tempo", acrescenta o delegado, onde plantava soja e criava gado. A polícia suspeitava que ele estava vivendo no Paraguai mas após anos investigando também comparsas e familiares conseguiu descobri-lo em Sorriso.

Como Luiz Carlos fez algumas cirurgias plásticas, a PF teve um minucioso trabalho para constatar que era a pessoa procurada. "É uma situação parecida com filme. Não tinha como cruzar com ele em barreira policial e ele ser identificado (devido as plásticas que fez) porque também usava identidade falsa", explicou o delegado.  "Ele é o traficante de número 01 procurado pela PF e tem mais importância que Fernandinho Beira Mar e Juan Carlos Abadia". "Ele vivia nas sombras, oculto, usando nome falso e nunca foi preso e por isso era uma lenda. Fizemos uma operação minuciosa e muito detalhada", investigando "comparsas na Europa e Estados Unidos", afirmou. O delegado apontou ainda que Luiz Carlos "era considerado embaixador do tráfico, tinha bom relacionamento com todos. Não tinha no seu modus operandi a violência como prática, mas sim os contatos e a negociação. Por isso teve essa longevidade no tráfico de drogas devido ao fato de ter compatibilidade com todas as facções" "porque não entrava em confronto com nenhuma. Ele possuia uma estrutura absurda... Paraguai, Bolívia, Colômbia, Peru, Panamá... ele tinha uma força absurda no tráfico de drogas", acrescentou.

A Polícia Federal confirmou que os US$ 4,5 milhões de dólares, apreendidos no sábado, não estavam na casa onde ele ficava em Sorriso. US$ 3,4 milhões estavam malas em uma casa em um bairro nobre em Osasco (SP) e US$ 1,1 milhão foram apreendidos em um apartamento em São Paulo. "A estimativa é de que na primeira fase da operação foram sequestrados US$ 10 milhões', afirmou o delegado.

A PF confirmou que em três operações anteriores ele foi denunciado e as condenações, juntas, são de 50 anos de prisão e a estimativa da polícia é que seu patrimônio, adquirido com tráfico, seja superior a US$ 100 milhões em fazendas, imóveis, carros. O delegado Elvis afirmou também que Luiz Carlos Rocha tinha várias residências, em São Paulo (Osasco), Sorriso, Cuiabá. "Só no Mato Grosso nós estimamos que ele têm de 5 a 6 fazendas". "Ele tem várias fazendas no Paraguai e ainda não tem notícias do balanço das apreensões no Paraguai e por onde transitava com a cocaína".

A Polícia Federal confirmou que "ele usava modal aéreo para transportar drogas da Bolívia, Peru e Colômbia" e" e "desciam para fazendas no Mato Grosso e dali eram levadas de caminhões para São Paulo (Araraquara e Cotia)" com destinos seguintes para São Paulo, Rio de Janeiro e no exterior. "A estimativa é que ele colocava mensalmente no solo brasileiro ou exportação em média de 3 a 5 toneladas/mês", acrescentou o delegado Elvis.

Durante a operação foram apreendidos 1,5 tonelada de drogas em fundos falsos de duas carretas em Mato Grosso (uma delas em Nova Mutum) e em um depósito em São Paulo.


Fonte: G1 MT


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