Gaúcha do Norte,12 de Novembro de 2018 - Segunda Feira

Homem preso por matar ex-secretário de MT é transferido para cadeia

Vilceu Marchetti foi assassinado a tiros na noite desta segunda em fazenda. Funcionário disse que atirou após Marchetti assediar a esposa dele.

10/07/2014 - 07:17:55


Vilceu Marchetti

O funcionário da fazenda preso por matar o ex-prefeito de Primavera do Leste e ex-secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Vilceu Marchetti, de 60 anos, foi transferido da delegacia do município de Santo Antônio de Leverger, distante 35 km de Cuiabá, para a Cadeia Pública do Capão Grande, em Várzea Grande, região metropolitana da capital, na quarta-feira (9). O homem, de 53 anos, confessou à Polícia Civil ter matado a tiros Marchetti, na noite de segunda-feira (7), após constatar que ele tinha assediado sexualmente sua mulher.

O fato ocorreu em uma fazenda localizada no Distrito de Mimoso, em Santo Antônio de Leverger, e o suspeito foi indiciado por homicídio doloso [quando há intenção de matar], já que cometeu o crime por vingança. A arma utilizada pelo funcionário, um revólver calibre 38, ainda não foi encontrada pela polícia. Em depoimento, o suspeito contou que jogou a arma em um rio, logo após o crime. A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que uma equipe de policiais e do Corpo de Bombeiros realizam buscas na região para tentar encontrá-la.

De acordo com a Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o inquérito que investiga o caso deverá ser concluído em 10 dias e a hipótese de execução está descartada no momento. “Ele foi indiciado por homicídio doloso [quando há intenção de matar] porque foi prisão em flagrante e as evidências do crime o apontam como o autor dos disparos”, disse a delegada Anaíde Barros, da DHPP.

Durante depoimento, nesta terça-feira, o funcionário contou que tudo ocorreu muito rapidamente e que o assédio contra a esposa foi na casa sede da propriedade. A mulher, de 37 anos, estava dentro da casa quando o ex-secretário entrou e teria passado as mãos nas nádegas dela. Do lado de fora, o marido contou que viu o fato, mas a porta de entrada estava entreaberta. Ele esperou Marchetti sair do local para abordar a esposa e confirmar o assédio. "Ele chegou até ela e perguntou se era verdade o que tinha ocorrido. Ele pressionou a esposa para contar e ela acabou dizendo que era verdade. Em seguida, o funcionário foi em direção à casa ao lado, onde estava o ex-secretário para tomar satisfação. Houve uma discussão e o suspeito efetuou os disparos", relatou o delegado.

Minutos antes do crime, Vilceu e o funcionário preso tinham ido até o pasto realizar vacinação do gado, já que, segundo a investigação, ele iria assumir o cargo de administrador da fazenda no lugar da vítima, que atualmente trabalhava no setor de agropecuária. A Polícia Civil informou que o suspeito e o ex-secretário não se conheciam e o contato de ambos ocorreu nesta segunda-feira. O casal já trabalhava há mais de seis anos para o dono da fazenda, em Santa Catarina, e estava há menos de 10 dias em Mato Grosso.

A PM foi acionada por outro funcionário da propriedade que teria ouvido os disparos e visto o suspeito sair do quarto do ex-secretário. O dono da fazenda, a esposa e filhos, como também dois netos da vítima, de 14 e 9 anos de idade, estavam na fazenda. Todos foram ouvidos pelos delegados e confirmaram que o homem preso era quem tinha cometido o crime.

 

Velório


O corpo de Vilceu Marchetti foi enterrado no cemitério municipal de Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá. A morte do ex-prefeito causou repercussão na cidade e durante o velório, amigos e parentes deram o último adeus ao ex-secretário. "Vamos lembrar dos últimos momentos que estivemos juntos e de tantas coisas boas que ele fez", afirmou o filho do ex-secretário, Rigoberto Marchetti.

 

Escândalo


Em março deste ano, a Justiça Federal em Mato Grosso condenou o ex-secretário Vilceu Marchetti no processo que ficou conhecido como ‘Escândalo dos Maquinários’. Ele foi condenado a pagar multa de R$ 10 mil e teve os direitos políticos suspensos por cinco anos. Além disso, o então juiz Julier Sebastião da Silva determinou que Marchetti, Geraldo de Vitto e as empresas envolvidas no caso devem devolver aos cofres públicos os R$ 44 milhões desviados.


Fonte: G1 MT


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