Gaúcha do Norte,19 de Outubro de 2018 - Sexta Feira

Índia recém-nascida resgatada após ser enterrada viva é transferida para Cuiabá

Bisavó foi presa e alegou que enterrou a bisneta por supor que ela estivesse morta após o parto

07/06/2018 - 06:03:11


Índia recém-nascida resgatada após ser enterrada viva foi transferida em UTI aérea para Cuiabá (Foto: Abelha Táxi Aéreo)

A índia recém-nascida – que foi resgatada depois de ser enterrada viva pela família dela, na terça-feira (5), em Canarana, a 838 km de Cuiabá – foi transferida na noite de quarta-feira (6) para Cuiabá.

A menina sobreviveu após ficar cerca de 6 horas enterrada e foi resgatada por policiais, que registraram o resgate em vídeo (veja abaixo).

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), a família é da etnia Kamayura, residente no Parque Nacional do Xingu.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a menina foi trazida numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea. Ela chegou às 19h40 na capital e foi levada para a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, onde está internada em uma UTI neonatal.

Antes, a criança estava internada no Hospital de Água Boa, a 736 km de Cuiabá. Segundo a SES, a bebê está com hipotermia grave e distúrbio de coagulação, conforme informou a pediatra de Água Boa, e, por isso, foi necessária a transferência para UTI Neonatal em Cuiabá.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanha a situação. A criança está sob a tutela do estado, aos cuidados do Conselho Tutelar.

Parto

A mãe da criança, de 15 anos, sentiu contrações e deu à luz no banheiro da casa. O bebê teria batido a cabeça no chão e não teve reação após o nascimento, segundo a família. A história foi descoberta após uma denúncia anônima feita na Polícia Militar. A mãe da adolescente e a mãe do bebê foram ouvidas na delegacia e liberadas.

Resgate e prisão da bisavó

A Polícia Civil estima que a criança ficou enterrada por seis horas – entre as 14h e 20h de terça-feira em uma cova de 50 centímetros de profundidade. A bisavó, Kutsamin Kamayura, de 57 anos, foi ouvida e alegou que a criança não chorou e, por isso, acreditou que estivesse morta. Seguindo o costume da comunidade indígena, ela enterrou o corpo no quintal, sem comunicar os órgãos oficiais.

A bisavó da índia teve a prisão convertida em preventiva depois de passar por audiência de custódia nesta quarta-feira. Na decisão, o juiz Darwin de Souza Pontes, da 1ª Vara de Canarana, a ordem pública como motivo para determinar a prisão preventiva de Kutsamin. Ela deve responder por tentativa de homicídio.


Kutsamin Kamayura é bisavó da índia recém-nascida em Canarana (Foto: Polícia Civil de MT/Assessoria)

MP analisa se bebê foi enterrada por ser de mãe solteira ou ter morrido no parto

MPF e o MPE em Mato Grosso estão acompanhando o caso. Os órgãos afirmam que há duas versões apresentadas do caso. 

Uma das versões decorre da cultura milenar de bater na cabeça e enterrar um dos gêmeos (o que traz o espírito do mal), e também os filhos “sem pai”, que seria este o caso da bebê de uma etnia do Parque Nacional do Xingu. Outra versão que chegou ao conhecimento do MPF é que a criança teria caído de cabeça no chão quando a mãe deu à luz no banheiro da casa, razão pela qual ela acreditaria que a criança já estaria morta ao ser enterrada.

 


Fonte: G1 MT/Edição: Gaúcha News


Quer receber as notícias do Gaúcha News no seu e-mail? Cadastre-se!