Gaúcha do Norte,11 de Dezembro de 2018 - Terça Feira

Professores indígenas de Gaúcha do Norte estão se formando no ensino superior

Três professores atuam no ensino municipal e outros três no ensino estadual

12/04/2018 - 06:13:42


Seis são professores de Gaúcha do Norte. Da esquerda para a direita: Kemenhã Mehinako, Peyeku Kuikuro, Trukuma Kuikuro, professora Lorena, Autaki Waura (camiseta branca com preto), Amutu Waura (camiseta branca), Hukai Waura (camiseta verde limão).

Seis professores indígenas do Parque Indígena do Xingu (PIX) e pertencentes ao município de Gaúcha do Norte estão se formando em licenciatura plena, através do curso intercultural indígena pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Três deles atuam na educação municipal e outros três na educação estadual, em diversas aldeias. 

Inseridos na educação municipal, Autaki Waura e Hukai Waura concluem este ano o curso e atuam na Escola Municipal Indígena Ulupuwene, já Kemenhã Mehinako está com o curso em andamento e atua na Escola Municipal Mehinako Madrim. Já na educação estadual estão: Peyeku Kuikuro (aldeia Paraíso); Trukuma Kuikuro (aldeia Ipatse) e Amutu Waura (aldeia Piyulaga).

Na semana passada, aconteceu na sede da UAB (Universidade Aberta do Brasil), em Canarana, mais uma etapa dessa formação. Além do PIX, o curso atende indígenas de 25 povos de várias regiões do Brasil. O Xingu faz parte da formação desde 2013 e os participantes estão em diferentes estágios.

Segundo a professora da UFG, Dra. Lorena Dall’Ara, o curso tem a duração de cinco anos. Duas vezes por ano, início e meio do ano os alunos vão até Goiânia na UFG para aulas presenciais. Nos intervalos das idas à capital de Goiás, primeiro e segundo semestres, eles têm aulas no PIX, mas por questão de logística foi solicitado nesta oportunidade a UAB para que as aulas acontecessem em Canarana. Nos dois primeiros anos de curso, no que é chamado de matriz básica, os indígenas têm contato com várias áreas do conhecimento. A partir do terceiro fazem opção por uma área entre ciências da natureza, ciências da linguagem e ciências da cultura. Na sequência eles também podem fazer especialização, mestrado e doutorado.

O professor Hukai falou sobre sua conquista: "foi muito bom fazer essa faculdade, aprofundar o conhecimento e aprender mais sobre a licenciatura. Com essa formação temos a chance de dar continuidade nos estudos das crianças que hoje são atendidas pela educação municipal nas próprias aldeias", disse.

O professor Autaki complementou: "nossa maior preocupação é que quando termina o ensino fundamental, os estudantes da aldeia precisam se deslocar até a cidade para fazer o ensino médio, e nossa dificuldade é esse deslocamento e a difícil situação financeira em se mudar para a cidade. Concluindo a faculdade, nós podemos trabalhar o ensino médio em nossas aldeias, suprindo essa necessidade e evitando que nossos alunos saiam da aldeia.

Como a formação é voltada para professores que já atuam nas aldeias, o objetivo é capacitá-los para que continuem atuando em suas comunidades. A faculdade é gratuita e eles também têm uma bolsa, que ajuda no deslocamento para participar das aulas. “O buriti, por exemplo, eles usam para construir casa, para artesanato, como alimentação, nada é fragmentado, então o ensino que eles têm desde criança é um ensino contextualizado, por isso que nosso curso traz uma proposta transdisciplinar, intercultural, bilíngue, valorizando sempre o que eles trazem para a gente como conhecimento”, explicou a doutora.


Fonte: O Pioneiro/Edição: Gaúcha News


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