Gaúcha do Norte,19 de Novembro de 2019 - Terça Feira

Colheita da soja chega a 70% em Gaúcha do Norte

Produtores tem aproveitado o tempo seco para acelerar os trabalhos na lavoura

06/04/2015 - 07:26:20


Os produtores tem aproveitado o tempo seco para acelerar a colheita da cultura da soja no município de Gaúcha do Norte, que no final do mês de março chegou a aproximadamente 70% da área colhida.
Basta percorrer as estradas do município que o cenário é o mesmo em praticamente todos os pontos, poeira das colheitadeiras nas lavouras, movimentação de tratores e implementos agrícolas, assim como carretas e caminhões em trânsito.
Se comparada a safra passada, o atraso na colheita atinge diferença de 15 pontos percentuais, devido a ocorrência de um período de estiagem presenciado em janeiro e alta incidência de chuvas na época da colheita. Fatores que também influenciaram na baixa de alguns pontos na produtividade da cultura.
Segundo dados colhidos no departamento de Agricultura, a área ocupada pela cultura segue entre 200 e 210 mil hectares com produtividade média do grão na faixa de 45 sacas por hectare, podendo sofrer variação até a finalização da retirada das lavouras e variando de talhão para talhão.
Quanto ao valor da saca da soja, mercado tem presenciado entre R$ 40,00 a R$ 56,00. No início do mês de abril, preços estiveram em torno de R$ 53,00 bruto. Para o gerente da Fiagril de Gaúcha do Norte, Clésio Dias Rezende, o valor pago na saca de soja tem sido influenciado pela alta do dólar e uma previsão de quebra de safra em torno de 5% no Brasil.
Com novas instalações inauguradas no final do mês de fevereiro, a empresa trabalha com padrão exportação - CONCEX, e a soja recebida será escoada para exportação pelo corredor Norte. Este ano movimentação será em torno de 70 mil toneladas.
Quanto a expectativa de crescimento de área para a safra futura, o gerente relata que segue na ordem de 5 a 7%.

 

Nossos produtores
 

Em visita a propriedade de Edvino Jerke, o agricultor que iniciou a colheita da safra no início do mês de fevereiro, ressaltou que as principais dificuldades enfrentadas foram questões ligadas a estradas e logística para escoamento da safra, assim como ocorrência de replantio em cerca de 300 hectares.
Trabalhando com lavoura desde 2003, e passando de 50 hectares para 1.500 na atual safra, o agricultor alia o crescimento de área, a boa produção presenciada nas terras de Gaúcha do Norte. “Temos colhido bem e presenciado uma produtividade na faixa de 50sc/ha, onde 70% de nossa área já está colhida”.
Quanto as melhorias na economia do município, o agricultor apontou o aumento na capacidade de armazenagem e comercialização do grão. Em área já colhida, o agricultor plantou cerca de 370 ha de milho e garante que o desenvolvimento da cultura está bom. 

Foto: Charles e Edvino Jerke, filho e pai, em dia de colheita

 

 

O agricultor Sigvard Frost também recebeu a equipe em um dia de colheita. O mesmo trabalha há nove anos com lavoura em Gaúcha do Norte e planta cerca de 800 hectares de soja e 160 de milho. Iniciou plantando 90 hectares de soja, investindo e melhorando tanto em terras como em máquinas, ano após ano.
Em uma abordagem geral sobre a colheita e comercialização do produto, o agricultor afirmou, “estamos colhendo bem, hoje estamos com cerca de 75% de nossa área colhida com boa média na soja precoce. O município recebeu mais armazéns e evolui na hora da entrega do produto, porém temos presenciado alta porcentagem de descontos em impurezas e umidade em nosso produto”, disse.

 

                                                                     Imagem: Rogério, Ricardo e Sigvard Frost, filhos e pai na lavoura

 


Na foto: Produtora Maria Wessner acompanhando a colheita da soja

 

Representando a classe feminina, a produtora Maria Wessner e família, trabalha com lavoura há cerca de 36 anos, sendo 16 anos no município de Gaúcha do Norte. Na primeira safra mato-grossense, foram plantados 200 hectares de arroz e uma área de 50 ha destinados a cultura da soja. “Os primeiros trabalhos como a compra e abertura de áreas no município, só foi possível com a aplicação de investimentos com vendas das terras do Paraná, com o tempo e com a boa produção de safra após safra, fomos aumentando a área e investindo em maquinários, trabalhando em regime familiar e possibilitando a divisão de terras e máquinas para as três famílias”, disse a produtora.

Com 1.200 ha destinados para a soja, e média de produtividade variando entre 55 a 58 sc/ha, os trabalhos de colheita foram iniciados na segunda quinzena de janeiro, onde cerca de 60% da área estava colhida até final de março. “Este ano o período de estiagem em janeiro atrapalhou um pouco a safra, a ocorrência da Mosca Branca implicou em uma maior aplicação de produtos e a chuva atrasou a colheita, em relação ao valor pago no preço da saca, acreditamos que deveria ser um pouco mais alto devido o aumento da inflação. Mas em balanço geral o desempenho está bom, não podemos reclamar”, disse Maria.
O bom desenvolvimento do milho nos cerca de 400 ha ocupados também anima a produtora. “A lavoura está bonita e esperamos uma boa safra”.

 

Logística
Quando questionados sobre as principais dificuldades enfrentadas na safra, o posicionamento dos produtores foi unânime quanto a logística para escoamento do produto. Para o coordenador delegado do núcleo da Aprosoja de Gaúcha do Norte, Josenei Zemolin, alguns acessos podem facilitar e resolver esse empasse como é o caso da pavimentação da BR-242 de Santiago do Norte à Querência, onde dois trechos de 90 quilômetros estão licitados e com ordem de serviço, faltando a iniciação das obras pelas empresas, e outro ainda com uma dificuldade de ajustamento de licença. Assim como continuação e finalização da pavimentação asfáltica da MT-020 que liga os municípios de Canarana e Paranatinga, MT-129 que liga Gaúcha do Norte até a MT-020 sentido Paranatinga e MT-130 de Paranatinga a Primavera do Leste.
“A finalização da obra da BR-242 é o sonho da classe produtora da região. Uma das grandes evoluções para o município está ligada a MT-020, a Aprosoja vai fazer pressão junto ao novo governo para que sejam dadas as ordens de serviço e a obra dê andamento no sentido de Paranatinga também, pois no acesso por Canarana já temos cerca de 30 km asfaltados”, disse. 
“O município tem potencial para produzir muito mais, o crescimento da agricultura é visível, e estamos prontos em questões como abertura de área e produção, o que falta para que isso possa acontecer mais rápido é a logística de estradas para escoamento dessa produção”, finalizou o coordenador.


Fonte: Redação: Cely Trevisan


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