Gaúcha do Norte,17 de Outubro de 2018 - Quarta Feira

Gravidez na adolescência

A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias consequências para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão e de suas famílias.

02/03/2016 - 07:44:35


Dr. Orlando Barreto Neto Orlando Barreto Neto é médico obstetra e ginecologista no Paraná (CRM-PR 32.481).

A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias consequências para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão e de suas famílias. Pode estar relacionada com diferentes fatores, desde estrutura familiar, formação psicológica e baixa autoestima.

Adolescência e gravidez, quando ocorrem juntas, podem acarretar sérias consequências para todos os familiares, mas principalmente para os adolescentes envolvidos, pois envolvem crises e conflitos. O que acontece é que esses jovens não estão preparados emocionalmente e nem mesmo financeiramente para assumir tamanha responsabilidade, fazendo com que muitos adolescentes saiam de casa, cometam abortos, deixem os estudos ou abandonem as crianças sem saber o que fazer ou fugindo da própria realidade.

A maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade. Por causa da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase todas abandonam os estudos.

Em 1999, do total de 2,6 milhões de partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 31 mil foram feitos em meninas com idade entre 10 e 14 anos e 673 mil entre 15 e 19 anos. A ginecologista Silvana Gomes, que também é especialista em sexualidade humana na adolescência, reconhece o problema e afirma que é entre as jovens de 10 a 14 anos que a situação é mais complicada. Segundo ela, o número de partos feitos em mães com idade entre 15 e 19 anos aumentou, sim, mas de forma proporcional ao crescimento da população nesta faixa etária. Por outro lado, o crescimento de partos feitos nas meninas entre 10 e 14 anos foi muito maior que crescimento dessa população. "Nesta faixa etária, que é a que apr esenta mais riscos tanto para a mãe quanto para o bebê, o número de partos disparou", explica.

O IBGE detectou que diminui o número de adolescentes grávidas entre 15 e 19 anos. Isso vem se reduzindo em todo o país, mas tem ocorrido de modo mais acelerado no Sul e no Sudeste. O levantamento do instituto mostra que a gravidez entre os 15 e 19 anos caiu no Brasil de 20,4% do total, em 2002, para 17,7% em 2012. Atualmente, a Região Sudeste detém o menor índice (15,2%) e a Região Norte (23,2%), o maior percentual de gravidez nessa faixa etária.

Academia Americana de Pediatria publicou uma diretriz que aponta que os métodos de contracepção prolongada, como o DIU, não são usados pelos jovens, mesmo sendo mais eficientes. A academia reforçou que esses procedimentos podem ser utilizados por adolescentes.

Os dados são alarmantes e mostram que 22% das meninas tentam utilizar o método do coito interrompido, que tem um índice de eficácia muito baixo. Além disso, 200 mil mulheres jovens morrem por dia no mundo por problemas em decorrência do parto.

Para os especialistas em adolescentes a grande saída para o problema da gravidez antes da hora é a prevenção. Segundo Virgínia Werneck, o Ministério da Saúde, juntamente com a Federação Brasileira de Ginecologia, criou o programa nacional Adolescer com Saúde. O programa objetiva preparar o profissional que atende o adolescente, capacitando-o para o desenvolvimento de atividades de prevenção da gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis junto aos jovens. A ideia é oferecer aos adolescentes métodos para o exercício da sexualidade responsável.  "O Ministério da Saúde tem feito vários programas, inclusive o de amparo à gestante adolescente. Entretanto, o foco tem que ser na prevenção" acredita. No entanto, apoio da família é muito importante, pois ela é a base que poderá proporcionar compreensão, diálogo, segurança, afeto e auxílio para que tanto os adolescentes envolvidos quanto a criança que foi gerada se desenvolvam saudavelmente.


Fonte: Dr. Orlando Barreto Neto


Quer receber as notícias do Gaúcha News no seu e-mail? Cadastre-se!